sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bem Me Quer... Mal Me Quer...

             Fanfic / Fanfiction de Naruto - Bem Me Quer... Mal Me Quer... (Concurso Fanfics NaruHina)


Em uma montanha de dúvidas eu lá estava. Lembranças da noite anterior fluíam em minha cabeça, palavras que jamais deveriam ser ditas foram cuspidas sem pudor; diante daquele suposto amor meu coração estava pregado como em que uma cruz. Cada beijo, cada toque... tudo teria sido em vão? As palavras que ele disse...

Corpo sem vida, era assim que eu me sentia... apenas um jarro vazio, sem conteúdo. Não conseguia me levantar da cama, o cheiro dela ainda estava impregnado no meu travesseiro, em mim, em toda a casa. Parecia que nunca iria se esvair, permaneceria ali até que eu morresse, a coragem de trocar os lençóis morreria ali enquanto aquele delicioso aroma permanecesse.
Poderia voltar atrás? Queria não ter dito tudo aquilo, não queria tê-la feito chorar, não suporto vê-la chorar...

Não sei a quanto tempo estava ali, mas perdi-me no tempo observando aquela paisagem, um horizonte traçado em linha reta; seria o significado do fim?
Cruzei os braços sentindo o frio tomar conta, as lágrimas insistiam novamente em cair, abaixei a cabeça e vi ali... uma pequena e singular flor branca que dançava acompanhando melodicamente a sinfonia leve do vento. Sorri só de observar aquela flor tão simples e frágil. Abaixei-me e a arranquei do solo. Por um momento senti inveja daquela flor, do perfume doce e quase que imperceptível, talvez aquele perfume fosse uma dádiva para poucos. As pétalas macias davam um toque acolhedor, como a fina seda. Brinquei passando o dedo entre elas, e em um impulso arranco uma delas começando a contagem...
Bem me quer...


Enlouqueci, enlouqueci ao ver sua foto, ao ver suas roupas jogadas no banheiro, ao ver que em cada parte do apartamento havia uma lembrança dela, até mesmo aquele quadro horrível que ela havia comprado me trazia boas lembranças, um aperto no coração e aquele nó na garganta. Involuntariamente soquei a parede, um filamento de sangue escorreu, e mesmo assim aquilo não doeu mais do que ver aqueles olhos desamparados, aqueles olhos que eu tanto amo, os olhos cujo eu lhes tirei o brilho.
Como a amo!! Como fui estúpido! Não deveria ter dito tudo aquilo, não deveria! Machuquei o amor da minha vida, a única mulher pela qual eu morreria! Ainda consigo ouvi-la suspirar enquanto fazíamos amor, ainda vejo seu rosto ruborizado, tímida, linda, em meio a sussurros e juras de amor. É como se eu ainda estivesse sentindo-a em meus braços, a pele branca e macia aqui, minha.
E agora... talvez não houvesse mais volta.

Pensar? Não havia em que pensar, lágrimas eram absurdas neste momento, é como se eu não existisse, só queria estar aqui...
Mal me quer...


Não me lembro a última vez em que havia lhe dito que a amo. Estávamos cada vez mais afastados, não conversávamos mais. Ela tentava, mas algo me impedia... orgulho, ciúmes...
Ela andava saindo de mais com um de seus amigos do trabalho, um dia chegou tarde e vestida em sua camisa e em seu casaco. Não sei o que aconteceu naquele momento, mas o ciúme tomou conta e simplesmente explodi, nem sequer quis escutá-la.

Não queria, não podia lembrar, mas ele insistiu... ele insistiu em trazer à tona todos aqueles sentimentos guardados. Como fui boba em acreditar nele, como fui boba em sequer pensar que ele nunca me magoaria... estava de mãos atadas, seguraria aquelas lágrimas com todas as forças, chorar por ele não valia a pena. E ainda assim, uma parte de mim só queria voltar para casa, para os braços dele. Mas só o que poderia fazer naquele instante, o que meu corpo fraco permitia, era puxar delicadamente a próxima pétala...
Bem me quer...


Não podia ficar parado, não podia perdê-la. Peguei a chave do carro e desci em disparada pelas escadas do prédio, tinha que achá-la, levá-la de volta para casa. 
Dirigi por todo canto daquela cidade, procurei em cada esquina, mas nem sinal dela, nem sinal de seu sorriso. Já fazia muito tempo que eu a procurava, o sol estava se pondo, e naquele instante me lembrei de seu lugar favorito.
Dirigi mais um pouco, e foi ali que à avistei, perto da colina.

Mal me quer... 

Cada passo em sua direção fazia meu corpo tremer. Era esse efeito que ela fazia sobre mim, como se cada vez que eu a olhava me apaixonasse mais uma vez.
A noite passada estava bem nítida em minha memória. Ela apenas havia ficado molhada por causa da chuva e que aquele amigo fora gentil em lhe emprestar roupas secas, mas eu já gritava:

-Quer mesmo que eu acredite nessa história?!!!
-Para com isso Naruto! Você está sendo ridículo!
-Caramba!! Para de se fingir de inocente, qualquer um pode fazer gato e sapato de você!!!
-Gato e sapato? Gato e sapato?! Que tipo de idiota você está virando Naruto?
-O mesmo tipo de vadia que você está virando!


Foi ali, naquele exato momento que havia percebido as minhas palavras. O silêncio dominou o local, ela movia os lábios em choque, sem ao menos fazer um ruído sequer. Me odiei. Senti meu rosto arder, sua mão me acertara. Não consegui me mover com o choque, só a vi correr para fora do apartamento.

Observava cada uma daquelas pétalas voarem para longe. Cada pétala era nós dois, misturas de dor e alegria em uma só flor. 
Vadia... foi disso que ele me chamou, assim como o meu primeiro namorado que havia tentado me estuprar. Incrível que mesmo depois de tantos anos aquelas palavras ainda machucavam, cortantes.
Segurei a última pétala entre os dedos, demorando nela, como se aquela fosse uma despedida. E antes que pudesse arrancá-la sinto ele me envolver em seus braços, me apertando contra seu peito, e o queixo se apoiar em meu ombro. Lágrimas caíram quando finalmente ouvi-o sussurrar em meu ouvido: 



-Me perdoa... eu te amo.

A última pétala cai. Bem me quer.